Fernandoboaventura

A NEROCIÊNCIA E OS EXERCÍCIOS FÍSICOS

A NEUROCIÊNCIA DOS EXERCÍCIOS FÍSICOS

O exercício físico é capaz de produzir inúmeros benefícios, bem conhecidos, ao músculo esquelético, tais como o aumento da força e da capacidade de produção de energia. Sua prática regular pode preservar ou retardar a aparição de várias doenças. Além disso, o exercício físico melhora a função cognitiva e o humor de pessoas fisicamente ativas. Nas últimas duas décadas, desde quando se descobriu que o exercício físico aumenta a expressão de uma proteína chamada fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) no cérebro de ratos, um grande número de pesquisas foram destinadas a estabelecer uma conexão entre exercício físico, os níveis dessa neurotrofina e os seus efeitos benéficos no cérebro de animais e humanos. Recentemente foi demonstrado que uma sessão de exercício é capaz de aumentar a concentração de BDNF sérico e plasmático de uma maneira transitória em humanos, além de ocorrer um aumento na expressão de BDNF no músculo esquelético. Estudos recentes mostraram que há um potencial benefício no aumento da expressão de BDNF e liberação do mesmo pelo cérebro e alguns tecidos periféricos, induzidas pelo exercício físico, resultando em uma melhora no funcionamento cerebral, através de uma melhora na plasticidade sináptica no hipocampo (CAMPOS, Marcelo Cavalheiro de. 2014). O exercício aeróbico também tem sido relacionado à melhoras cognitivas em jovens e idosos (LISTA, Ilaria; SORRENTINO, Giuseppe.2010, Chaddock L, Erickson KI, Prakash RS, Kim JS, Voss MW, Vanpatter M, et al.2010) concluíram que uma melhor aptidão física está associada a melhores funções executivas e processos visuoespaciais. Estudos recentes propuseram que o exercício aeróbico protege o cérebro contra a demência ou retarda o declínio cognitivo relacionado à idade (Chaddock L, Erickson KI, Prakash RS, Kim JS, Voss MW, Vanpatter M, et al.2010).

A maioria das evidências acerca dos efeitos do exercício no cérebro, no entanto, vem de estudos em animais (LISTA, Ilaria; SORRENTINO, Giuseppe.2010, Leem YH, Lee YI, Son HJ, Lee SH.2011) sugerem que os mecanismos neurobiológicos básicos associados ao exercício podem ocorrer em dois níveis: no nível extracelular, o exercício induz a angiogênese à partir de vasos pré-existentes. No nível intracelular, o exercício tem sido associado à neurogênese hipocampal (LISTA, Ilaria; SORRENTINO, Giuseppe.2010). O significado funcional desse efeito ainda é incerto, mas alguns estudos propõem que neurônios recém-formados podem ser totalmente integrados à rede neural, tornando-se funcionais (ZHAO, Chunmei et al.2006). O exercício parece ainda induzir o crescimento de novas sinapses (sinaptogênese)( (ZHAO, Chunmei et al.2006). Além disso, estudos em animais mostraram alterações induzidas pelo exercício em fatores moleculares de crescimento como o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) e fator de crescimento semelhante à insulina tipo (IGF-1), proteínas com papel crucial na neuroplasticidade, neuroproteção e neurogênese (DE MELLO, Marco Túlio et al.2005). Há ainda vasta evidência que os sistemas de neuromodulação e neurotransmissão sejam modulados pelo exercício (KRONENBERG, Golo et al.2006, DESLANDES, Andréa et al.2009). Um conceito emergente sugere que a saúde cerebral e as funções cognitivas são moduladas pela inter-relação entre fatores centrais e periféricos (KIM, Bhumsoo; FELDMAN, Eva L.2015). Processos inflamatórios sistêmicos, presentes em doenças metabólicas como hipertensão arterial ou resistência à insulina, aumentam a inflamação no sistema nervoso central e estão associados ao declínio cognitivo (KIM, Bhumsoo; FELDMAN, Eva L.2015).

Deste modo, conclui-se que, a área da Neurociência do Exercício é relativamente nova, mas décadas de estudos experimentais e longitudinais em humanos e animais vêm demonstrando que os efeitos do exercício no cérebro são significativamente positivos e o impacto do exercício no cérebro é único no sentido de melhorar a saúde mental, reduzir o declínio de massa cinzenta associado à idade e melhorar as funções cognitivas. Além disso, o exercício tem se mostrado uma ferramenta altamente eficaz no tratamento de transtornos mentais como depressão, ansiedade e doenças neurodegenerativas. Dados os recentes avanços na presente temática e o potencial terapêutico e econômico do exercício na população em geral, espera-se que pesquisas futuras correlacionando pesquisas básicas à variáveis psicológicas e estudos de imagem possam elucidar melhor os mecanismos pelos quais o exercício melhora a saúde cerebral.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

Acessado em: Fonte da foto<https://pixabay.com/pt/photos/silhueta-ioga-silhueta-de-ioga-2512805/>13/05/2020.

CAMPOS, Marcelo Cavalheiro de. O exercício físico e sua relação com o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) e a plasticidade sináptica: uma revisão bibliográfica. 2014.

Chaddock L, Erickson KI, Prakash RS, Kim JS, Voss MW, Vanpatter M, et al. A neuroimaging investigation of the association between aerobic fitness, hippocampal volume, and memory performance in preadolescent children. Brain Res. 2010;1358:172-83.

DE MELLO, Marco Túlio et al. Physical exercise and the psychobiological aspects. Brazilian Journal of Sports Medicine, v. 11, n. 3, p. 203-207, 2005.

DESLANDES, Andréa et al. Exercise and mental health: many reasons to move. Neuropsychobiology, v. 59, n. 4, p. 191-198, 2009.

KIM, Bhumsoo; FELDMAN, Eva L. Insulin resistance as a key link for the increased risk of cognitive impairment in the metabolic syndrome. Experimental & molecular medicine, v. 47, n. 3, p. e149-e149, 2015.