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Fibromialgia, a doença do corpo e da alma

A fibromialgia é uma doença bastante comum entre brasileiros. Enquanto que em pesquisas internacionais, ela afeta entre 1 a 5% da população, no Brasil os casos aumentam para cerca de 10% da população geral. A maior incidência no país é atribuída a fatores socioeconômicos.

 

Ela se caracteriza como uma condição dolorosa generalizada e crônica (dores que persistem por mais de três meses); é considerada uma síndrome porque engloba uma série de manifestações clínicas como dor, fadiga, indisposição e distúrbios do sono.

Apesar de ser uma doença conhecida há bastante tempo, são poucas as informações dos especialistas quanto às suas causas. O que se sabe, segundo o reumatologista Mário Sérgio Ferreira dos Santos, é que não há uma causa conhecida, mas há fatores de risco que deixam a pessoa mais suscetível à patologia.

Entre os fatores, estão: ser do sexo feminino; fatores genéticos (mãe ou parentes que tiveram fibromialgia); trauma de infância, como abandono ou violência; ou, ainda, por apresentar, naturalmente, uma incapacidade de superar estresse. Mário Sérgio explica que o diagnóstico da fibromialgia não se dá através de exames, mas somente com observação clínica. “Se a paciente chega dizendo que sente muitas dores, há mais de três meses, em vários pontos do corpo, tanto da cintura para cima quanto da cintura para baixo, há grandes chances de ser fibromialgia”, afirma.

O quadro se agrava ainda mais por causa dos distúrbios do sono frequentes. “Não se sabe se o distúrbio é uma causa ou consequência, mas a questão é que as pacientes acordam cansadas e com mau-humor por não terem um sono revigorante”, diz.

Mulheres são mais de 80% das vítimas da fibromialgia

Considera-se a fibromialgia uma forma de reumatismo, segundo o médico, por envolver músculos, tendões e ligamentos. Como já foi dito, as mulheres são mais de 80% dos casos da patologia, mas não há explicação para isso, como informa Mário Sérgio. O quadro se forma na faixa etária de 30 a 60 anos, tendo como pico a idade média de 35 anos, segundo o médico. “Mas, até crianças podem apresentar a doença. É comum que as pessoas demorem a buscar auxílio médico, só o fazem quando o quadro se complica”, lamenta.

Quanto ao tratamento, o reumatologista informa que pode ser de duas formas: medicamentoso ou não-medicamentoso, sendo preferível obter resultados positivos sem ajuda de remédios. Para isso, é necessário, em primeiro lugar, estar informado: “Educação é fundamental. O paciente precisa se informar, saber o que é a doença, o que não é a doença, o que vai representar para sua vida, se vai deixar ou não a pessoa debilitada, etc”.

Depois de conhecer os sintomas e outras informações sobre a fibromialgia, o paciente deve melhorar seu estilo de vida, praticando exercícios físicos orientados, de preferência, sob orientação de um personal trainer, como sugere Mário Sérgio. “A medicina alternativa também é uma opção, como a yoga, a acupuntura, que equilibram o emocional. É importante ressaltar, lembra o médico, que fatores psicológicos podem estar envolvidos com a fibromialgia. Daí a necessidade de tratar corpo e alma.

Somente em situações em que o tratamento não-medicamentoso não der resultados é que se deve adotar o uso de remédios para controlar as dores.

O tratamento deve ser adotado durante toda a vida, já que a doença não tem cura, e apresenta apenas um controle. A cabeleireira Maria do Socorro Batista, 53 anos, sabe bem o que é ter fibromialgia. Há pelo menos 13 anos ela sente dores constantemente pelo corpo inteiro. “Sinto dores nas pernas, nos braços, no antebraço, nas costas, nos ombros, em todo lugar”, conta.

E não são somente as dores que a incomodam, mas a insônia que a deixa ainda mais cansada e estressada. “No começo, eu achava que era por causa da minha profissão, e os médicos não confirmavam se era fibromialgia”, lembra. Socorro confirma o que o médico Mário Sérgio informou: a fibromialgia é também uma doença da alma. “Chego a ficar muito depressiva durante as crises”, diz.

Segundo Socorro, metade de sua vida ela dedicou em sessões de fisioterapia para aliviar as dores; e, nos últimos anos, ainda precisa tomar analgésicos e antidepressivos para controlar uma doença que não tem cura.

A característica “positiva” ou menos dramática da fibriomialgia é que as dores nos músculos, tendões e ligamentos não acarretam deformidade física ou outros tipos de sequela. É o que afirma o fisioterapeuta Fernando Boaventura, que lembra, entretanto, que a doença afeta o emocional e a capacidade produtiva dos pacientes.

Boaventura alerta ainda para a fibromialgia juvenil. Mesmo crianças podem apresentar os sintomas, mas é comum que a busca por tratamento aconteça de forma tardia. Para diagnosticar fibromialgia, o fisioterapeuta diz que os médicos contam com o apoio de um “mapa” do corpo, que enumera 18 pontos dolorosos. A vítima da patologia sente dor em pelo menos 11 desses pontos. Nuca, braços e joelhos são alguns deles.

A atividade física é, sem dúvida, a melhor opção para tratar as dores desta doença, como recomenda Boaventura. Os exercícios do método Pilates e do RPG (Reeducação Postural Global) são os preferidos do especialista. “Principalmente o pilates, que consiste em atividades de baixo impacto, bem orientadas e que não exigem muito esforço”, aconselha.

Autor/Fonte: Pollyana Rocha / Jornal O Dia. Em 26 de Janeiro de 2009.

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