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O ESTRESSE, OS HORMÔNIOS E SUAS INFLUÊNCIAS NA SAÚDE

O ESTRESSE, OS HORMÔNIOS E SUAS INFLUÊNCIAS NA SAÚDE

 

O ESTRESSE, OS HORMÔNIOS E SUAS INFLUÊNCIAS NA SAÚDE

Tudo bem meu nome é Fernando Boaventura, sou fisioterapeuta e osteopata e vou aqui falar um pouquinho sobre os efeitos do estresse e suas relações hormonais no nosso corpo. Assunto um tanto complexo, no entanto, o seu entendimento pode ser bastante útil. A intenção também é trazer ideias de terapias integrativas,  temas reflexivos relacionados à saúde, autoconhecimentos e terapias afins. O objetivo sempre é tentar  desenvolver a  nossa própria consciência, que é fundamental.

O estresse pode ser definido como um estado antecipado ou real de ameaça ao equilíbrio do organismo e a reação do mesmo, que visa restabelecer o equilíbrio através de um complexo conjunto de respostas fisiológicas e comportamentais. A manutenção deste estado de equilíbrio, homeostase, é essencial para a vida (1). 

É esta homeostase (equilíbrio) que a fisioterapia tenta proporcionar com os tratamentos da osteopatia, da RPG, do pilates, dos exercícios do Método FB ou da Yoga.

A resposta ao estresse é adaptativa e prepara o organismo para enfrentar o desafio. O objetivo da resposta aguda ao estresse é essencialmente o de induzir uma rápida mobilização de energia nos locais apropriados. Nesse sentido, o aumento da freqüência cardíaca, da pressão arterial, da freqüência respiratória e a mobilização dos depósitos de glicose, contribuem para a disponibilização de energia (2). 

O SNA (sistema nervoso autônomo) é o responsável pela resposta mais imediata à exposição ao estressor. Suas duas partes, simpática e parassimpática, provocam alterações rápidas nos estados fisiológicos através da inervação dos órgãos alvos. Por exemplo, a inervação simpática pode rapidamente (em segundos) aumentar a freqüência cardíaca e a pressão arterial através da liberação de noradrenalina e adrenalina pela estimulação da glândula adrenal. Essa excitação do SNA diminui rapidamente em razão do reflexo parassimpático, que é o que ocorre em respostas de curta duração ao estresse (1).

Por outro lado, o estresse ativa, também, o eixo HHA (hipotálamo-hipófise-adrenal), que resulta na elevação dos níveis de glicocorticóides circulantes. A exposição ao estressor ativa os neurônios do hipotálamo que secretam hormônios liberadores, como o hormônio liberador de corticotrofina (CRH). Esse hormônio vai agir na hipófise anterior promovendo a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), que por sua vez vai atuar no córtex da glândula adrenal iniciando a síntese e liberação de glicocorticóides, como, por exemplo, o cortisol em humanos (1).

O importante é entender que o  estresse freqüente ou mantido por longo tempo pode comprometer o organismo gerando doenças. Vários estudos neuroquímicos sugerem que o estresse crônico aumenta a excitabilidade do eixo HHA e do sistema simpáticoadrenomedular. Com o estresse crônico, novos estressores passam a ter as respostas de ACTH e cortisol facilitadas (1) .

 

 

A relação entre estresse e problemas de saúde tem sido comprovada por inúmeros estudos. Num desses estudos 75 casais foram acompanhados por seis meses, com registros diários de aborrecimentos, humor e condições de saúde, encontrando uma relação significativa entre a ocorrência de estresse e dificuldades com a saúde (3) . 

O estresse mantido é relativamente recente na escala evolutiva, sendo observado apenas nos primatas sociais e no homem (2) . Isso se deve provavelmente ao fato do homem pensar e, dessa forma, poder antecipar situações de estresse ou manter suas preocupações por longo tempo.

A liberação de glicocorticóides, pelo estresse, tem ações bem conhecidas sobre o metabolismo de carboidratos. Os efeitos dos glicocorticóides são opostos aos da insulina, produzindo o que é conhecido como resistência à insulina, o que provoca em outras palavras acúmulo de gorduras (4,6). 

Essas respostas ao estresse têm um sentido adaptativo de aumentar a disponibilidade de glicose circulante e a  persistência, por longo prazo, de níveis elevados de estresse pode contribuir para desencadear a diabetes (5).

A ativação do SNA e do eixo HHA (hipotálamo-hipófise-adrenal), pelo estresse, interfere numa série de outros sistemas podendo também ter repercussões sobre a reprodução, o crescimento, a memória, o sono, o envelhecimento, a osteoporose e outros (2, 7).

Daí a importância de se administrar bem  o estresse e sua grande demanda de energia gerada no organismo.  Por isso que bons pensamentos,  uma boa atividade física, práticas de meditação e boa alimentação são fatores que podem nos deixar mais saudáveis. Caso esses itens não estejam sendo bem administrados pode ter certeza que você está se fragilizando e mais tempo ou menos tempo você vai perder saúde. 

REFERÊNCIAS:

  1. Ulrich-Lai YM, Herman J. Neural regulation of endocrine and autonomic stress response. Nature Reviews – Neuroscience. 2009; 10: 307-409.
  2. Sapolsky RM. Why zebras don´t get ulcers.Third Ediction. New York, Henry Holt and Company, 2004.
  3. DeLongis A, Folkman S, Lazarus RS. The impact of daily stress on health and mood: psychological and social resources as mediators. Journal of Personality and Social Psychology. 1988; 54 (3): 486-495.
  4. Andrews RC & Walker BR 1999 Glucocorticoids and insulin resistance: old hormones, new targets. Clinical Science 96 513–523.
  5. Macfarlane DP, Forbes S, Walker BR. Glucocorticoides and fatty acid metabolism in humans: fuelling fat redistribution in the metabolic syndrome. Journal of Endocrinology (2008) 197, 189–204.
  6. Vale S. Psychosocial stress and cardiovascular diseases. Postgrad Med J 2005; 81:429– 435.
  7. Tsigos C, Kyrou I, Chrousos G. Stress, endocrine physiology and pathology. http://www.endotext.org/adrenal/index.htm.
  8. Figura – https://www.academia.edu/Antonio Waldo Zuardi/FISIOLOGIA DO ESTRESSE E SUA INFLUÊNCIA NA SAÚDE.
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